15 poemas infantis curtos e famosos para ler com as crianças!

Não é segredo que carregamos muito do que aconteceu na infância conosco para o resto de nossas vidas.
E em muitos casos, as lembranças dos primeiros conhecidos, dos primeiros professores, dos momentos em que aprendemos algo então desconhecido, estão entre as nossas lembranças mais agradáveis.

É o caso, por exemplo, de quem teve a sorte na infância de entrar em contato com os poemas infantis.

Existem poemas para crianças que são simplesmente inesquecíveis para uma criança que os conhece, poemas que a farão recordar para sempre um momento agradável de aprendizagem, dando-lhe uma sensação agradável.

Mas não só isso, muito antes de se tornarem adultos, esses versos contribuirão muito para o seu desenvolvimento quando criança.
Os benefícios das cantigas de roda para as crianças são muitos: desenvolvem a memória, a fala, o pensamento, o vocabulário, o sentido estético, etc.

E o tempo todo, a criança desfruta da deliciosa sensação de rimas, repetições, figuras de linguagem e outros meios de expressão que o poema proporciona.

Sem falar no prazer de ler cantigas infantis para as crianças.

Por isso, se você é pai, mãe, educador ou educador, terá muito sucesso em usar cantigas de roda como auxiliares de ensino: isso tornará seu método mais atraente e mais eficaz.

Por isso, selecionamos uma lista com 15 cantigas de roda curtas e conhecidas para ler com as crianças, além de falar um pouco mais sobre os benefícios da leitura de poesias com os pequenos.

Boa leitura!

Poemas infantis curtos e famosos

Meninos carvoeiros, de Manuel Bandeira

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.

Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.

(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)

— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles . . .
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!

—Eh, carvoero!

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.

A boneca, de Olavo Bilac

Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: “É minha!”
— “É minha!” a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca…

Menina passarinho, de Ferreira Gullar

Menina passarinho,
que tão de mansinho
me pousas na mão
Donde é que vens?
De alguma floresta?
De alguma canção?

Ah, tu és a festa
de que precisava
este coração!

Sei que já me deixas
e é quase certo
que não voltas, não.

Mas fica a alegria
de que houve um dia
em que um passarinho
me pousou na mão.

Jogo de bola, de Cecília Meireles

A bela bola
rola:
a bela bola do Raul.

Bola amarela,
a da Arabela.

A do Raul,
azul.

Rola a amarela
e pula a azul.

A bola é mole,
é mole e rola.

A bola é bela,
é bela e pula.

É bela, rola e pula,
é mole, amarela, azul.

A de Raul é de Arabela,
e a de Arabela é de Raul.

A porta, de Vinícius de Moraes

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

Pequenina, de Antero de Quental

Eu bem sei que te chamam pequenina
E tênue como o véu solto na dança,
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina…

Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina…

Mas, filha, lá nos montes onde andei,
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos!

Criança desconhecida, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos.
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.

O Pinguim, de Vinicius de Moraes

Bom dia, Pinguim
Onde vai assim
Com ar apressado?
Eu não sou malvado
Não fique assustado
Com medo de mim.
Eu só gostaria
De dar um tapinha
No seu chapéu de jaca
Ou bem de levinho
Puxar o rabinho
Da sua casaca.

Pequenina, de Florbela Espanca

És pequenina e ris… A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa…
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente…
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente…

Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!

Pessoas são diferentes, de Ruth Rocha

São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes…

Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.

Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.

Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes!

A bailarina, de Cacília Meireles

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

O pato, de Vinícius de Moraes

Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.

O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco

Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo

Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo

Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Menino, de Manuel Lopes Fonseca

No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.

Criança, de Cecília Meireles

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste,

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente…

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.

Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Quais os benefícios dos poemas infantis para as crianças?

Como já dissemos, a leitura de poemas infantis pode ser muito benéfica para as crianças.

Poderíamos elencar inúmeros motivos para justificá-lo, mas resumiremos os principais.

Que fique, porém, registrado que incentivamos fortemente o uso da poesia como ferramenta de ensino: as crianças só têm a ganhar.

Os principais benefícios dos poemas infantis para as crianças são:

Poemas infantis são divertidos

Não se pode falar em ensinar crianças sem falar em didática.

E a didática, para crianças, tem de ser leve, dinâmica, estimulante.

Muito do que a criança aprenderá, ou terá dificuldades para aprender, é diretamente dependente da maneira com a qual foi ensinada.

Sendo assim, destacamos que os poemas infantis são ferramentas de ensino poderosasíssimas, justamente porque estimularão o cérebro da criança, que se divertirá com as relações todas as novas protegidas entre as palavras e com o som agradável dos versos.

Poemas infantis desenvolve uma memoria

A repetição de rimas e canções é como um exercício para a memória das crianças; não somente memória semântica, como memória afetiva.

A criança, portanto, ao ler poemas infantis, fará registros semânticos e afetivos em sua mente, podendo gravar-los quando deparar-se com palavras componentes do poema no futuro, lembrando-se tanto do sentido atribuído a elas no poema, quanto das sensações que experimentaram ao lê-los pela primeira vez.

Poemas infantis desenvolve o uso da linguagem

Desenvolver o bom uso da linguagem é algo fundamental para uma criança, que impactará sua vida futura independentemente do caminho que escolher.

Sabemos que o processo cognitivo humano é complexo, lento, e muitas vezes inconsciente.

A criança chega a um mundo onde não conhece nada e, exposta diariamente a diferentes sons, imagens e estímulos, vai lentamente atribuindo sentido a eles e entendendo o ambiente em que vive.

Os poemas infantis aprenderam sobremaneira para que a criança tome consciência dos fonemas, das palavras, da sintaxe, além de estimular a interpretação de texto e o pensamento crítico, habilidades importantíssimas que terão de desenvolver.

Poemas infantis estimulam a criatividade

Os elementos variados que constituem a poesia são fortíssimos estímulos para a criatividade das crianças.

Os jogos de palavras, as rimas, as aliterações, o ritmo, a cadência dos poemas, tudo isso as encanta por evidenciar relações interessantes que as palavras podem travar entre si.

Mas mais do que isso: sendo os poemas, em geral, narrativas, eles cozinhar com que a criança imagine e a imaginação, como sabemos, é o grande pilar da criatividade.

Conclusão

Vamos parar por aqui!

Esperamos que você tenha gostado da nossa seleção de canções de ninar curtas e famosas.

Se você gostou deste conteúdo, não deixe de deixar um comentário.

Abraços e até mais!

livros-online.org
Deixe um comentário